segunda-feira, 13 de maio de 2013

Capitulo III - Seguindo em frente


Capitulo 3 - Seguindo em frente
Como prometi fui para Inglaterra, durante o longo caminho acompanhada de coches e pequenos navios, com no bolso apenas dinheiro que meu irmão me deixara para pagar os primeiros meses da pousada, de uma família conhecida de Alicia. Tinha o necessário para a minha sobrevivência. Levava comigo as roupas mais finas que me tinham comprado quando ainda era conhecida como duquesa e as mais caras joias de países exóticos. Podiam ser úteis, não para usar mas sim para se um dia ficar com demasiadas dificuldades económicas.
Depois de um longo e cansativo caminho cheguei à pousada. Lá conheci Nany Frizter, uma viúva Dona de casa que tinha dois filhos. Nany era uma pessoa maternal, porém com uma forte personalidade.
Fiquei num quarto, era pequeno e simples comparado aos que estava habituada. A cama tinha lençóis de linho, a minha antiga tinha lençóis das sedas mais caras, formada com madeiras antigas e de um alto valor. Através da pequena janela avistava uma agradável vista para um jardim pertencente à pousada. Era início da estação que mais detestava. Inverno.
Nany me instalou confortavelmente, como a pessoa maternal que era, nunca me deixou passar por nenhum tipo de dificuldade. Nesse inverno gelado ela foi como uma mãe para mim, e para ela tenho a certeza que fui como uma filha. Notava-se no olhar que me transmitia, era doce e ao mesmo tempo preocupado.
Ela sabia da minha situação, não porque lhe tinha contado mas sim porque era conhecida de Alicia, que lhe deixou a par de tudo mesmo antes de chegar à pousada. Tratou-me como uma princesa, sem os luxos e o rigor. Mas sim com amor e preocupação, ela me fazia lembrar minha mãe, não pela aparência mas sim pela sua personalidade e forma de ver o mundo. Realmente era a única fonte de afeto maternal que tinha nesta altura, e não abriria mão de nada em troca disso.
Um mês se passou. Minha vida era monótona, acordava cedo e descia para a parte de alimentação da pousada. Nany me fazia um pequeno-almoço reconfortante. À tarde normalmente íamos alimentar os patos do jardim da pousada, tinha vezes que íamos até ao parque Central da cidade, lá a variedade de aves era mais abundante, assim como a de árvores. O lago assim como as copas das árvores estavam cobertos de neve. Aquele Inverno seria o mais rigoroso de todos, o que consequentemente nos trazia mais despesas. Para ajudar a pagar a minha renda mensal da pousada ajudava Nany em algumas tarefas. Preparando o Almoço, ajudando a tirar a neve do caminho para a pousada e inúmeras outras. Sinceramente não me importava. Nesta altura da minha vida não me queria preocupar com luxos, mas sim com sobrevivência própria.
Após dias rigorosos de Inverno a minha proximidade com Nany ficou cada vez mais maternal e afetiva. Ela sabia de toda a minha vida inclusive pensamentos e emoções, mas eu… eu não sabia praticamente nada dela. Sabia do básico. O seu marido morrera de uma doença desconhecida, então criou seus dois filhos sozinha, os sustentando com o dinheiro da pousada. Anos mais tarde um dos filhos morreu de uma morte misteriosa e a casula desaparecera. Fim. Sem nenhuma explicação que me convence-se. Minha curiosidade sobre esse assunto era infinita, porém não queria falar com Nany diretamente sobre isso, sabia que lhe afetava profundamente. Mas como iria controlar a minha curiosidade?
-Nany… a senhora nunca me falou ao certo do que aconteceu com seus filhos… - Pergunto cautelosamente.
-A menina já terminou de comer os biscoitos de mel que lhe fiz? – Diz Nany tentando mudar de assunto ignorando completamente a minha pergunta.
- Sim, eu já… Nany, por favor, a senhora sabe tudo sobre mim, não acha que mereço saber um pouco mais da sua história?
Nany me olha com um olhar inexpressivo e se senta na poltrona. Fico um pouco receosa da sua reação.
-Por favor menina Rebecca – Diz Nany fazendo sinal para me sentar à sua beira. Eu me sento, mais uma vez cautelosamente.
-Sua curiosidade é maior do que sua timidez? – Diz Nany fazendo um esboço de um sorriso.
Faço que sim com a face e esboço um sorriso também.
- Bom, há um ano atrás meu filho mais velho desapareceu.
- Sim Nany, essa parte a senhora já me contou.
-Deixe-me terminar menina Rebecca – Diz Nany semicerrando os olhos. – Mais tarde ele foi encontrado num beco, sem qualquer sangue em seu organismo. Completamente drenado.
A minha face exprime admiração, era notável que Nany também não estava completamente bem quando refere-se ao assunto.
- Não vivemos num mundo sã. Existem pessoas más, egoístas, nunca podemos confiar em estranhos, nem que nos pareçam a melhor pessoa, pode ser apenas uma máscara.
Essas palavras me ficam na cabeça. Quem poderia ser o maníaco que teria feito algo assim com uma pessoa? talvêz tão maníaco quanto o meu suposto pai, penso.
-E seu outro filho Nany? Se não quiser falar… eu compreendo – Faço um olhar reconfortante.
-Eu vou contar, sei que nunca iria satisfazer sua curiosidade sem contar o que aconteceu com meu filho casula… Depois de seu irmão ser encontrado morto, meu filho ficou revoltado, queria vingança de alguém que não sabia quem era. Um dia foi em busca desse alguém, e nunca mais voltou.
Após estas palavras caí uma lagrima do rosto de Nany.
-Oh, Nany! Por favor, não chore! A culpa é minha, devia ter domado a minha curiosidade, me desculpe – minha voz estremece.
-A culpa não é sua menina Rebecca, são fatos, não podemos mudar o passado, o que nos resta é seguir em frente.
O rosto dela volta a erguer-se e suas palavras me comovem, não só pelos seus filhos mas sim porque tomei aquela frase para a minha situação, teria de seguir em frente.

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